A arte da pintura

Morning - 2007-2008 - oil on canvas - 78.74 X 59.05 in - Manhã - 2007-2008 - óleo sobre tela - 200 X 150 cm

Matilde Matos
2011

Para os desiludidos que pensam que a pintura morreu, vão ver no Centro Cultural Correios a exposição ‘O Mar de Sergio Lucena’, que fica até o dia 27 de agosto.

Ao surgir a internet, os artistas sentiram o caráter da sua pintura ser afetado pela tecnologia. Muitos a trocaram pelo aspecto refletivo da arte conceitual, e por toda sorte de experiências, em busca de seguir os desígnios do pensamento do novo século: a mudança do fixo pelo que se move, do estável e preciso pelo indefinido, do uno pelo múltiplo.

Quando nos parecia cada vez mais rara a possibilidade de apreciar em telas, alguma coisa substancial e nova, chega sem qualquer alarde o artista paraibano Sergio Lucena, apresentando a qualidade extraordinária da sua pintura, nesses quadros em que o mar é uma constante que se apreende e se sente, quase sem se ver.

Pintando a óleo sobre telas, o artista se abstrai de repetir paisagens marinhas, mas no trabalho magistral que ele faz com as cores, ativa a lembrança de quem viveu o mar, em diferentes horas do dia ou da noite, levando-o a reconhecer a atmosfera de uma manhã enevoada na praia, a ver incandescente por do sol e o seu brilho na noite escura, de encontro ao céu. e a refletir sobre a imensidão e o mistério que ele encerra.

Afternoon 2008 - oil on canvas - 71 X 71 in - Tarde 2008  óleo sobre tela - 180 X 180 cm

Às vezes Sergio dá-se ao luxo de excluir qualquer motivo e mostra o que sabe extrair com os pinceis sobre uma tela ao pintar uma só cor, como Fúcsia, e sem deixar evidente a riqueza das mudanças de tons que ela encerra, exalta a luminosidade e configura excelente quadro.O mar é mais um dos motivos que o artista vem trabalhando. Com apuradíssimo desenho e inconcebível criação o artista fez em 2004 e 2005, a perturbadora Serie Deuses da Terra, de animais tão trabalhados que matariam de inveja o mais detalhista dos prateiros seculares babilônicos. Em alguns quadros do final dessa série como O Servo, a Vaca Sagrada, o motivo já esmaece sob a bruma característica e incomparável da seguinte Serie Deuses do Céu, de 2006/7, a pintura que já saiu do lugar comum de motivos para o reino onírico das sombras e das sensações.

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