Poemare

Gray - 2010 - oil on canvas - 35.4 X 27.6 in - Cinza - 2010 - óleo sobre tela - 90 X 70 cm

William Costa
2010

Quem há de negar à poderosa e imorredoura força da poesia, que tem, entre seus néctares e ambrosias, o mar e todas as suas possibilidades? A história que vos narro agora nos foi compartilhada por Sérgio Lucena, artista paraibano hoje radicado na capital paulista – transfigurada em cidadela, para criação e defesa de uma pintura vigorosa de enigmas e mistérios poéticos.

Certo dia, o artista e crítico de arte Raul Córdula – também paraibano e radicado em Olinda – enviou a Sérgio algumas reflexões gravadas de próprio punho em papel, acerca da pintura do amigo, tendo como epígrafe a estrofe de um poema do saudoso Vanildo Brito: descobrimos um mar/mais oculto e profundo/do que o familiar e/líquido oceano.

Os versos de Vanildo citados por Raul permaneceram sobrevoando, como estranhas gaivotas, o mar interior de Sérgio. Há tempos, ele e dois de seus grandes amigos, o fotógrafo Alberto deC. Alves e a jornalista e escritora Leila Kiyomura, maturavam a idéia de reunir pintura e fotografia em uma mostra única. Eis que, de repente, as gaivotas de Raul ressurgiram no horizonte.

Os pássaros marinhos assumiram, então, a sua verdadeira significação. Os versos de Vanildo eram a alma e o conceito da exposição que estava em gestação. “Então tudo ficou claro para nós, e a mostra tomou forma… coisas da Magia tão caras a mim e ao meu querido amigo Raul” confidenciou-nos Sérgio, em uma simpática carta que nos chegou via Internet.

“Agradecemos, Alberto e eu, aos amigos que nos ajudaram e apoiaram para isto estar acontecendo, e ao poeta Vanildo Brito que, de onde está, iluminou-nos.”

Mar – Este é o título e tema da exposição e do livro que vão reunir trabalhos de Sérgio e de Alberto. O vernissage e lançamento da obra serão realizados no dia 10 de novembro próximo, no Lugar Pantemporâneo, em São Paulo. A mostra terá 15 fotografias e 13 pinturas a óleo, representando o diálogo entre as duas exposições – pintura e fotografia -, “que buscam no mar o ponto de partida para reflexões sobre a imagem”.

Lead-grey - 2010 - oil on canvas - 55.1 X 55.1 in - Cinza-Chumbo - 2010 - óleo sobre tela -140 X 140 cm

Mergulho – As pinturas de Sérgio são abstratas, de natureza contemplativa, e convidam a um mergulho profundo, única maneira de desvelar seus ocultos segredos. A noite lunar empresta sua atmosfera de luzes e sonhos diáfanos às lentes de Alberto. Sérgio e Alberto generosamente nos revelam os sentimentos, as experiências e as sensações que movem seus mares interiores.

Fuchsia 2011 - oil on canvas - 47.2 X 39.4 in - Fúcsia - 2011 - óleo sobre tela - 120 X 100 cm

Infinito – Leila Kiyomura explica que a pintura de Sérgio e a fotografia de Alberto são dois mares desaguando no mesmo oceano, sendo esta a visão infinita da arte que tanto o pintor como o fotógrafo propõem. Para ela, quando o leitor folhear o livro “há de se deixar mergulhar no azul, lilás, branco, na fusão de cores das marinhas de Lucena. Ou então, ouvir as ondas se quebrarem entre as pedras das fotos de Alberto”.

Gold 2009 - oil on canvas - 19.7 X 19.7 in - Ouro 2009 - óleo sobre tela - 50 X 50 cm

Horizonte – Pintura e fotografia, diz ainda Leila, são imagens que fluem da busca da natureza e do ser “mar”. Sérgio e Alberto prossegue a jornalista, em um encontro generoso, “aliam pintura e fotografia. Um movimento que acalenta o olhar… No mesmo horizonte estão o pincel de um e a câmera digital de outro. (…) Navegam em cores”.

Night 2008 - oil on canvas - 71 X 71 in - Noite 2008  óleo sobre tela - 180 X 180 cm

Outras gaivotas – Eu diria algo que por certo você entende e sabe muito bem, as coisas nunca saem d’agente. Trago comigo sempre o mar e o sertão, ambos são o mesmo espaço espiritual onde minha alma encontra lugar. Não conheço realidade geográfica, não percebo relação com o mundo externo, sem que exista um correspondente interno. De maneira que nunca estive em terra distante, tudo é o mesmo lugar. Sou um viajante imóvel, e minha pintura é uma janela aberta para este infinito espaço que contemplo. Nunca o mar foi para mim outra coisa, ele me espelha sem imagem, ele me traduz numa língua que não se fala. Uma língua sem som. Um só silencio.

Morning - 2007-2008 - oil on canvas - 78.74 X 59.05 in - Manhã - 2007-2008 - óleo sobre tela - 200 X 150 cm

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