O bestiário fantástico de Sergio Lucena

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José Roberto Teixeira Leite
2008

Menino ainda, ao tempo em que vivia no interior de sua Paraíba natal, Sergio Lucena ouviu fascinado estórias do folclore nordestino, com suas fábulas e lendas de pavões misteriosos, sapos, serpentes e bois encantados, além de descobrir, na biblioteca do avô, reproduções de Pieter Bruegel e de outros antigos mestres do Fantástico: familiarizou-se assim desde cedo com um mundo maravilhoso, povoado de seres estranhos, a meio caminho entre o grotesco, o terrível e o meramente divertido, seres que se movimentavam em meio a cenários de sonho, quando não de pesadelo.

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Num tal contexto, não foi difícil à sua imaginação, fertilizada ainda por inúmeras viagens e leituras, plasmar-se uma realidade outra, bem diferente daquela com a qual se depararia rapaz, ao retornar anos mais tarde à vida urbana, o que talvez 13.0.70X0.55.2003explique porque, tendo iniciado dois cursos universitários, não desejou concluir nenhum deles. Descobriu-se, isso sim, pintor, e mais do que pintor, artista, e como tal percebeu que sua missão seria a de um demiurgo: insuflar vida, dar forma àquelas imagens insólitas, àquelas entidades cuja existência estaria fatalmente confinada ao mito, não fora pela força criadora de seus pinceis.

Tais imagens insólitas levariam tempo para amadurecer e se manifestar; mas quando, há cerca de cinco anos, Sérgio passou a viver e trabalhar em São Paulo (deixando, aliás, atrás de si uma ampla trajetória de exposições e vivências européias), todos aqueles peixes pássaros, bodes caramujos, carneiros unicórnios, lagartos risonhos e búfalos voadores, espécies que Lineu algum jamais ousou classificar, certo dia lhe adentraram sem cerimônias o ateliê e se aboletaram em suas telas com sua presença absurda e ainda assim tão real, materializadas em cor, desenho e textura.

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É esse bestiário fantástico, superiormente traduzido em pinturas de excelente concepção e fatura, o que a FIEO hoje orgulhosamente apresenta em sua galeria.

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